O que é argamassa armada?

Resultante da associação do concreto com o ferrocimento, esse material consome menos espaço por metro linear, é leve de transportar, fácil de montar, além de apresentar excelente resistência e versatilidade

Texto Marcelo Testoni | Foto Shutterstock

 


Já ouviu falar em argamassa armada? É quase que um concreto armado, mas com componentes de menor espessura, ou seja, à mistura de agregado miúdo, cimento, areia e água (três materiais fundamentais para a criação da argamassa), é adicionada uma armadura de aço com fios de pequeno diâmetro. Estudos feitos pela Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), apontam que a argamassa armada traz vantagens como uma maior flexibilidade, alongamento e leveza. Porém, por essas características, sua aplicação se destina a estruturas de pequeno porte, como caixas d’água, muros de arrimo, paineis de divisão e peitoris.

Alternativa mais barata
Apesar de suas vantagens e variabilidade, a argamassa armada é menos resistente a rachaduras e ainda é pouco explorada no Brasil no sistema construtivo civil. Porém, o seu campo de pesquisa tem progredido, uma vez que seu custo é menor do que o de outros materiais. Em relação ao concreto armado a economia pode chegar a 10%, mas somente em terrenos firmes; caso haja a necessidade de reforço nas fundações, esse benefício se perde. Para entender melhor a questão dos valores, aqui cabe um exemplo: enquanto uma piscina de 4 x 8 x 1,40 m feita com concreto armado sai por quase R$ 40 mil, o mesmo modelo concebido com argamassa armada custa, em média, R$ 10 mil a menos.

Vantagens extras
A execução do sistema construtivo com argamassa armada não exige mão de obra especializada e também é sinônimo de conforto. O isolamento térmico e acústico, por exemplo, pode ser citado como um ponto positivo e também se traduz em economia de energia elétrica. Além disso, a argamassa armada tem boa durabilidade, podendo alcançar os 40 anos (isso se durante a obra forem tomadas algumas medidas preventivas). Contra a corrosão, por exemplo, podem ser adicionados na argamassadeira agentes inibidores de oxidação, utilizando-se ainda telas galvanizadas ou telas com armaduras soldadas ou protegidas por tinta epóxi, explica João Hanai, pesquisador da USP.

Faça você mesmo
Aprenda a economizar ainda mais, seja com mão de obra ou com o processo construtivo. A armadura central de muros e paredes, por exemplo, pode ser fabricada com tela de galinheiro galvanizada. Para aplicar a massa por entre ela nem é preciso se apropriar de ferramentas. Basta utilizar as próprias mãos, desde que estejam protegidas por luvas de borracha. Esse processo de modelagem também pode ser aplicado na etapa do acabamento, para fazer o alisamento superficial e proporcionar beleza à obra.

*João Hanai é perito em estruturas de concreto e alvenaria e pesquisador da Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo

Revista Construir Mais por Menos Ed.68